Mar de Palavras

– narrações de histórias com Penélope Martins e Joel Costa Mar –

Sete histórias de medo, versos de horror e outros bichos de fazer dó

folder fabricas medo

 

Em agosto Penélope Martins e Joel Costa Mar (en) cantam histórias de medo com a participação especialíssima da artista visual Renata Bueno.

Existem histórias de encantar e histórias de arrepiar. Um homem que achou que podia enganar a morte; o encontro fatal com a loira do banheiro; um bruxo que adora buscar crianças birrentas; barulhos que parecem vir de dentro do nosso armário bem na hora de dormir. Tudo isso parece tão terrível quanto encontrar uma barata na cozinha, mas uma canção de ninar pode ajudar a espantar nossos medos. Você tem medo de quê? Uma roda de histórias para contar e cantar canções monstruosas, desenhando com a imaginação para que o medo seja só de brincadeira.

Renata Bueno vai ai contar histórias com a gente DESENHANDO! Uau! Você vem ou tá com medo?

 

renata bueno

 

 

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poesia canção, com Joel Costa Mar

 

“Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz.” Assim se definiu Mário Quintana, poeta sulista brasileiro, nascido no começo do século XX e já desabrigado da vida no mundo.

Já tive um doido a me dizer que faço poesia e eu, orgulhosamente, respondi que nunca, “ao contrário, eu escrevo bobagens”, porque afinal de contas eu sou boba e ao responder assim eu me ‘quintaneio’ um pouquinho.

Sou da geração que recebeu na escola a coleção “Para Gostar de Ler”. Por lá experimentávamos Vinícius de Moraes, Cecília Meireles e Mário Quintana.

Nessa vida, que é louca e curta, seguimos a procurar a semelhança sem saber onde. Encontrei Joel Costa Mar, meu parceiro musical, e dele colhi uma canção para Quintana. Melhor do que biografias, fica o poema intitulado “auto-retrato”, de Mário Quintana, seguido da canção brincante de Joel, porque quintanear é sempre boa feita.

No retrato que me faço – traço a traço – às vezes me pinto nuvem, às vezes me pinto árvore…

às vezes me pinto coisas de que nem há mais lembrança… ou coisas que não existem mas que um dia existirão…

e, desta lida, em que busco – pouco a pouco – minha eterna semelhança,

no final, que restará? Um desenho de criança… Corrigido por um louco!

– Mário Quintana –

* Conheça também o Clube de Leitores, nossa casinha em Portugal junto de amigos, onde publicam-se os posts sob rubrica “É do Borogodó”, de Penélope Martins, onde já quintaneamos um bocadinho: http://www.blogclubedeleitores.com/2013/07/e-do-borogodo-quintaneando.html

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Lançamento do livro A Incrível História do Menino que Não Queria Cortar o Cabelo

“A Incrível História do Menino Que Não Queria Cortar o Cabelo nasceu na casa da escritora Penélope Martins. Foi inventada para o filho, André, que adorava contos sombrios, com bruxos e melecas – essas coisas que, em geral, os meninos curtem. De tanto contar e recontar a história, Penélope achou que ela daria um bom livro – e acertou, em cheio.” (Bia Reis, para Estante de Letrinhas, do Estadão)

“Se é um livro para ensinar as crianças a importância de tomar banho? É, pode ser. Mas se você ler em voz alta vai dar tanta risada com as crianças que vai descobrir que o livro tem muito mais que isso. Ou, na verdade: que, às vezes, uma história bem nojenta é tudo que a gente precisa.” (Cristiane Rogério, no Esconderijos do Tempo)

“Quem não gosta de uma porquicezinha de vez em quando? (…) A incrível história do menino que não queria cortar o cabelo é o primeiro livro de Penélope Martins, apesar de a escritora ser envolvida há anos em diversos projetos de literatura infantil e contação de histórias. ” (Marina Bastos, no Jornal ABCD Maior)

O lançamento do livro ocorreu na Livraria Nove Sete no último sábado, 05.04.2014, em meio a contação e cantação da história.

O livro pode ser encontrado na Livraria Nove Sete (loja física, em São Paulo) e também está disponível para compra online na Saraiva, Livraria Cultura, Siciliano.

Veja as fotos da festa de lançamento.

 

 

 

 

Foram parceiros nesse lançamento:

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A NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA QUE É A NOSSA LÍNGUA BRASILEIRA

Este artigo, de autoria de Penélope Martins, foi publicado originalmente no blog Toda Hora Tem História

Aquela miúda é do pioril, mas a malta é tão fixe que acaba por descontar as maldades, embora não dispensem as troças. Claro que faz sentido aos brasileiros, meus compatriotas, a minha afirmativa, mas melhor seria se eu dissesse que “aquela menina é mesmo má, mas a turma é tão bacana que dá desconto às maldades, embora não dispensem tirar um barato”.

Na língua formal e na língua coloquial, entre acadêmicos ou entre adolescentes, portugueses e brasileiros falam a mesma língua e também não.

Estive numa temporada de narrações de histórias com canções em Portugal e, ao perguntar para as crianças portuguesas qual o meu idioma, elas nunca hesitaram responder:

– Falas brasileiro!

A nossa língua portuguesa é tão nossa língua brasileira.

E a musicalidade então, nem se fala. Cada língua se desenvolve com notas próprias e variações de tons peculiares. Curioso perceber que até idênticos sentimentos se desenvolvem de maneira diferente em cada pronúncia da mesma língua.

Um exemplo é a tal saudade que aparece com afagos na bossa nova brasileira, decifrando o amor em linhas que desenham o litoral carioca, montanhas e mar:

Vai minha tristeza e diz a ela que
sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer.
Chega de saudade, a realidade é que
Sem ela não há paz, não há beleza…

Da nossa língua é única expressão: saudade.

Por um momento fico a pensar que dor imensa no fado a saudade, enquanto, mesmo sôfrego de amor, o poeta brasileiro faz dela um alento, uma brisa, chega até um sorriso.

À portuguesa, a palavra saudade expressa mais melancolia do que em qualquer outro lugar:

Saudade vai te embora
Do meu peito tão cansado
Leva para bem longe
este meu fado…
(http://www.youtube.com/watch?v=8ZcBaVNPy9E)

Temos um território comum na língua portuguesa que nos permite a compreensão uns dos outros e é o nosso patrimônio comum que possibilita a troca e o intercâmbio de informações, a sociabilização de diferentes culturas. Em contrapartida, a língua portuguesa que se fala no Brasil é diferente da língua portuguesa que se fala em Portugal, e nas peculiaridades somos afortunados, afinal, a língua revela a história de um povo e sua própria identidade.

A língua é viva e se modifica no correr do tempo sensível aos elementos de cada espaço. Talvez seja esta a grande razão para refutarmos acordos que formatem a expressão de uma nação com o uso da língua.

Os comparativos de nada servem quando retalham a nossa cultura para dizer que aquilo é que está certo, aqui é que é melhor, este sotaque é horroroso, ou outras coisas assim. Os comparativos são magníficos para quem deseja ampliar fronteiras do pensamento, descobrir o mundo em suas gentes.

Quando se abre uma imensa caixa de bombons, sabemos que tudo ali é chocolate. Mas, se há cereja em um, isso não desmerece a amêndoa do outro. Metáforas achocolatadas superadas, temos muito o que descobrir entre os países lusófonos e eis o instrumento facilitador que nos permite transitar nas particularidades de cada povo: falar língua portuguesa.

Então, prezados lusofônicos, façam suas leituras sem adaptações e busquem imprimir aos ouvidos o som de cada lugar, valorizem as travessias dessa nossa língua portuguesa que está na Europa, na América, na África e Ásia. Para já compartilho dois links com poemas do poeta português Fernando Pessoa, interpretadas por saudosos atores, o brasileiro Paulo Autran, http://www.youtube.com/watch?v=3dRchZ-vRAI, o português Mário Viegas, http://www.youtube.com/watch?v=VnQSA-Kcbno.

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Brasil em Portugal

“Irmãos em mar e palavras,

que, vasta e rica como o oceano que nos aproxima,
nossa língua seja ponte e não abismo,
caminho e não obstáculo;
que sua correnteza leve e traga nossas histórias,
Imensas, inda que mínimas,
Efêmeras, inda que eternas,
que como horizontina linha se aproximam.”

* Ana Zarco Câmara

2013-09-06 16.23.06

Ana Zarco Câmara publicou esta mensagem na rede social ao compartilhar nosso Projeto que inclui o intercâmbio literário conduzindo livros de autores brasileiros, dedicados e autografados, para os leitores de Lisboa. O acervo da viagem ficará disponível na Biblioteca da Escola Básica Alice Vieira.

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travessias e diálogos…

A literatura é feita de histórias e as histórias são feitas de gentes. Gente que escreve, gente que lê, gente que imagina, gente que discorda, gente que ri, que chora quando chega ao fim.

Contar histórias é dialogar com toda a gente. Cantar história é lançar a palavra no ar como um balão que sobe e viaja atravessando campos, montanhas, mares…

Nosso mar é tudo isso: travessias e diálogos.

Junto com a gente, muita gente vai embarcar para contar e cantar em novos lugares.

Sejam bem vindos a nossa mala de histórias: Ana Maria Moura, Eliana Lisboa, Rosaly Senra, Tereza Yamashita e Luiz Bras, Goimar Dantas, Glaucia Lewicki, Cris Eich e Regina Sormani!

Soletremos com afeto nosso imenso A B R A Ç O.

livros de autores brasileiros com dedicatórias especiais para leitores de Portugal

livros de autores brasileiros com dedicatórias especiais para leitores de Portugal

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Era uma vez…

Começam a chegar os livros para nossa brincadeira de intercâmbio e olha só que curioso, Glaucia Lewicki mandou para nós “Era mais uma vez Outra vez”, prêmio Barco a Vapor em 2006, o que nos faz crer que a arca de livros começa com a expressão clássica do contador de histórias: – Era uma vez…

Obrigada a todos os autores que estão manifestando apoio na página  Projeto Mar de Palavras no Facebook. É muito bom perceber que os livros são, antes de tudo, pontes que geram grandes encontros.

O grupo Mar de Palavras está feliz-feliz!

 

 

 

 

“Portugal nos deu uma língua linda e uma história épica, construída com muitos lances de pioneirismo e ousadia, que eu amo! Parte do meu “era uma vez” começa em Portugal, já que um dos meus avôs era português e, com isso, me fez portuguesa também. Poder ver as minhas palavras lidas por crianças de lá é mais do que gratificante. “*

* palavras de Glaucia Lewicki para o Projeto Mar de Palavras

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