Mar de Palavras

– narrações de histórias com Penélope Martins e Joel Costa Mar –

CONTADORES DE HISTÓRIAS NOS FAZEM VIAJAR SEM SAIR DO LUGAR, por Marina Bastos *

em 20 de março de 2015
Para a narradora andreense Penélope Martins não existe limite de tempo e espaço nas histórias, assim como limites para conhecer. Foto: Monika Tognollo/Divulgação
Para a narradora andreense Penélope Martins não existe limite de tempo e espaço nas histórias, assim como limites para conhecer. Foto: Monika Tognollo/Divulgação
Em 20 de março é comemorado o dia desses profissionais importantes para a criatividade e a imaginação

Contadores de histórias são capazes de nos fazer viajar para lugares extraordinários. Com sua narrativa acompanhada de gestuais, às vezes de música, e sempre explorando as possibilidades de suas vozes, contadores nos levam para dentro de histórias como num espiral de imaginação. Em 20 de março é comemorado o dia deste profissional tão importante para o desenvolvimento da criatividade.

A data passou a ser comemorada em 1991 na Suécia, com o objetivo de reunir os contadores de todo o mundo e promover a prática. Mas o hábito de contar histórias é milenar, podemos dizer que a evolução da humanidade está diretamente ligada à arte de contar histórias, e, mesmo hoje, não só fábulas como conhecimento e sabedoria popular são transmitidos através da oralidade.

Moradora de Santo André, Penélope Martins, que também é colunista de literatura infantil do ABCD MAIOR, começou contar histórias em 2010 no projeto Construindo Leitores, que acontecia na Livraria Alpharrabio. “A ideia era juntar as crianças para compartilhar histórias e encantar para a leitura. Depois disso, comecei a aceitar convites para contar histórias em escolas e, em 2013, participei de uma belíssima exposição sobre literatura portuguesa, já na condição de narradora de histórias”, lembrou.

Para Penélope, é fundamental que o narrador goste de colecionar boas histórias, e para isso precisa ser bom leitor também. “Também é muito importante encontrar musicalidade na palavra. O narrador tem que testar isso, ler em voz alta, procurar boas pronúncias e até cantar trechos da história. O importante é ter na palavra seu brinquedo. E para brincar de ‘palavrear’ é preciso ganhar intimidade com isso diariamente”, sugeriu.

Para o contador de histórias andreense Cristiano Gouveia, mais importante do que técnicas é o amor por essa arte. “Depois de contaminado por esta paixão, cada contador pode estudar, ler bastante, ouvir muitas histórias, ter contato com outros narradores, e buscar sua própria linguagem, seu próprio jeito de contar. Alguns utilizam livros, outros desenhos, outros só as palavras. E é incrível que cada um descubra suas próprias vontades e habilidades dentro do seu caminho”, disse ele, ao indicar que hoje existem vários cursos livres para narradores e até pós graduação.

Cantador de histórias – Cristiano começou contar histórias em 2006, na Cia. Prosa dos Ventos,  núcleo paulista de teatro e contação de histórias. “Desde então, tenho me envolvido na linguagem, me inspirando nos livros e em outros contadores de histórias que fui conhecendo, participando de festivais de narradores pelo País e até em Portugal, à convite da sensacional narradora Clara Haddad”, lembrou ele, que a partir de 2011 começou pesquisar e escrever histórias cantadas. “Acabo virando um ‘cantador’ de histórias, como os bardos e trovadores de outros tempos.”

Os dois concordam que a importância de contar e ouvir histórias está no ato de descobrir o mundo nas palavras de outra pessoa. “Neste mundo com relações tão virtuais, nas redes sociais, partilhar histórias é uma experiência única, pois se faz na presença. É aprender a ouvir, a ampliar a imaginação (quem nunca imaginou, do seu jeito, o tamanho da boca do Lobo, ou como era a casa de palha do porquinho?). É poder descobrir novos caminhos no mundo em que vivemos, através da astúcia, da imaginação, do bom humor, da superação de dificuldades”, considerou Cristiano.

Para Penélope a narração vai ainda além. “A importância disso é poder contar a própria história, reformular os capítulos vividos, encerrar episódios ruins, deixar a imaginação arejar novos caminhos para o que virá. A gente conta história para viver e compreender o que é viver. Na história somos árabes, ingleses, esquimós, vivendo na era do gelo ou na idade média. Não existe limite de tempo e espaço, nem limite para conhecer. Isso nos enriquece e torna nossa cabeça um lugar arejado, uma boa sala de estar.”

* esta matéria saiu no Jornal ABCD Maior, hoje, para comemorar o dia internacional dos narradores de histórias. Confira no site do Jornal: http://www.abcdmaior.com.br/noticia_imprimir.php?noticia=65396

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