Mar de Palavras

– narrações de histórias com Penélope Martins e Joel Costa Mar –

Mar de Palavras no Garatujas!

em 21 de dezembro de 2013

A entrevista foi transcrita abaixo, mas legal é ler no blog das Garatujas, aqui ó: http://garatujasfantasticas.com/mar-de-palavras-me-leva/

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Garatujas Fantásticas: Mar de Palavras. História de lá e cá. Nessa sua andança que une Brasil e Portugal, o que acha que mais aproxima os dois países em termos de história infantis?

Penélope Martins: Penso que temos os mesmos interesses acerca do cotidiano.

Ainda que distantes e com suas palavras, narrativas e sotaques próprios, falamos a mesma língua, mesma herança. Há uma troca muito grande nisso?

A língua é a mesma, mas existem muitas diferenças que merecem atenção. Historicamente são países com evoluções distintas, geograficamente nem se fala! Herdamos uma língua portuguesa falada no século XVI em Portugal, que se misturou com línguas indígenas e africanas. Depois disso, outros imigrantes aqui chegaram. São Paulo abriga a maior colônia de japoneses fora do Japão, e isso é incrível porque também temos imensa colônia de italianos, coreanos, chineses… O que faz a língua não é só a gramática, a língua é viva e sensível a todos os elementos que compõem nossa cultura.

Por isso me pergunto: “Realmente falamos a mesma língua portuguesa em todos os países lusófonos?” Se pensar a língua portuguesa é pensar questões pertinentes à grande comunidade lusófona, o Brasil, país com maior número de ‘falantes’ lusófonos, tem de considerar sua participação ativa nesse diálogo.

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O projeto começou como? E virou viajante a partir do quê?
O projeto começou com um simples convite para que eu contasse histórias de uma grande amiga e autora portuguesa, Alice Vieira. Escolhi a história “A Arca do Tesouro”, cuja personagem tem uma relação especial com o mundo das palavras, e iniciei a exploração do conto para narração. Motivada pelo próprio diálogo que tenho com Alice, escrevi a canção “Ali, Alice“, musicada por Joel Costa Mar. Por sua vez, Joel começou a provocar minha vontade de escrever canções e eu, faminta de diálogos, escrevi outras e outras. Por fim, juntei um conto de minha autoria (Violeta Dengosa, ainda em pré-lançamento pela editora Rocco), mostrei a bagunça toda para Alice Vieira e pronto: ela compartilhou em Portugal e logo alguém teve a ideia de que a narração de histórias, uma de cá e outra lá, fosse passear em terras lusitanas.
Aceitamos o convite, eu, Joel e também Monika Tognollo, que nos acompanha com registros áudio-visuais. Detalhe: todos sem remuneração, mas cheios de vontade de conversar e saber como são percebidas nossas histórias, nossas canções, nosso jeito de ver o mundo a partir da mesma língua portuguesa. Quixotesca, quis participar a cena para outros amigos autores e lancei o convite no Facebook: “Ei, mandem um livro pra cá, eu levo na mala e presenteio um leitor português com um pedaço do Brasil”.
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E como foi isso?
Bom, Bom, embarco dia 25 e tenho cá 29 kg de livros. A ciranda aumentou um bocado e o mais bacana foi pedir aos autores que dedicassem o livro ao leitor lá de Portugal. As dedicatórias foram chegando e revelando algo precioso. Os autores se passaram a leitores na medida em que revelavam o desejo em saber mais sobre esse leitor do lado de lá do Oceano. O projeto é isso, um convite para lermos o mundo lusófono, pensarmos em todas essas crianças que podem ser tocadas por histórias.
Os livros serão entregues dia 2 de dezembro para compor o acervo de biblioteca da Escola Básica Alice Vieira, em Lisboa. Por sua vez, Alice Vieira convidou os autores portugueses ao diálogo, então, a história vai continuar aqui no Brasil e, com sorte (e alguns parceiros) podemos levar a brincadeira aos outros países lusófonos.
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Como será sua rotina em Portugal? Qual o trabalho a ser feito lá, por onde vai passar e quem irá conhecer?
Chego em Lisboa dia 26 (amanhã) com meus amigos, Monika e Joel. De lá partimos para Guarda, onde faremos as duas primeiras apresentações. A Guarda fica ao norte, por isso vamos aproveitar para conhecer uns amigos músicos de Coimbra e não recusaremos a vista da Serra da Estrela.
A agenda em Lisboa é rica. Dia 2, temos a entrega dos livros e, é claro, não se entrega livros para miúdos sem contar histórias. Dias 3 e 4, faremos narrações na Escola Superior de Educadores para Infância “Maria Ülrich”, em Lisboa, e por lá gravaremos uma entrevista com um canal de televisão (mas conto na volta da viagem – suspense!). Dia 6 tem agenda com outra escola para apresentações. 

Podemos dizer então que você vai pra Portugal levando…

Sempre levo minha imensa vontade de saber sobre sua gente.

E imagina voltar para o Brasil trazendo…

Disposição para seguir sonhando projetos que sensibilizam o olhar para o “ser” mais humano.

Sensibilizar o olhar para o “ser” mais humano. Penélope, queremos saber: quem é você? E que papel as palavras ocupam na sua vida de contadora de histórias, que também leva música por aí?

Puxa, quem sou eu? Sei lá, você tem alguma ideia a respeito? Sei que tenho interesse na vida humana. Escrevo, conto histórias, componho canções, cozinho, passo roupas, leio com meus filhos, piro a cabeça dos meus alunos, advogo (sim, ainda faço isso), e em tudo isso sou sempre a mesma menina que cresceu amparada por pais que acreditam no ser humano.

Pois então, que papel esse trabalho tem na vida das crianças (sortudas) que te encontram por aí?

Eu sou a mais sortuda por ter contato com crianças e por encontrar gente que abraça os projetos. Joel e Monika compraram meu barulho com todos os opcionais e sem direito à devolução (risos). Ayssa Bastos nos equipou com material gráfico para divulgarmos as apresentações em Portugal, e tantos autores do país inteiro mandaram livros recheados de carinho. Pensa numa pessoa que vive cantando. Eu sou.

A partir da tradição oral e da musicalidade dessas histórias, podemos dizer que atingimos o imaginário e ajudamos a ampliar conhecimentos, trocar experiências?

Sempre! Quando contamos histórias, falamos sobre sentimentos e compartilhamos impressões. É maravilhoso ler um livro, mas falar sobre ele é incluir o outro na nossa viagem. O contar histórias é isso: uma roda de amigos a conversar.

Qual o valor da poesia nesse seu trabalho?

Não sei se sou poeta, mas sei que tento perceber a poesia nas coisas e isso me faz bem. Meus pais não tinham estudo, nem meus avós. Minha formação vem de observar a costura da avó, a pesca, o plantio do meu avô, o árduo trabalho dos meus pais para que houvesse amizade em nossa família. Cresci e me tornei mãe de duas crianças com histórias prontas, ambas foram geradas no meu coração e eu teria que fazer bonito para merecer um lugar no coração delas. A poesia está nisso: sentir o frescor dos legumes, estender lençóis recém lavados. A poesia é perceber a vida em todas suas miudezas.

Vai, Penélope. E toda sorte nesse mar! Estamos aqui pra saber mais, na volta.

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